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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

 





Se Isto é Uma Mulher é um livro sobre o campo de concentração de Ravensbruck, uma campo para mulheres.

Este campo, ao contrário de outros que foram adaptados, foi criado de raiz para este fim ainda antes do início da 2a Guerra Mundial por Himmler, o líder da SS.

Se no início achei que as condições das mulheres eram um pouco melhores do que costumo ler, pois havia lençóis, almofadas, sanitas e legumes na sopa, à medida que fui lendo fui ficando cada vez mais revoltada.

A dada altura decidiram fazer experiências médicas nas mulheres, porque muitos combatentes alemãs morriam devido a infeções do estilhaços que apanhavam em combate.

As mulheres sujeitas às experiências mais atrozes e desumanas chamaram-se a elas próprias de "coelhas".

Mas o que mais me custa ler é saber que em 100 bebés nascidos em Ravensbruck, ao fim de 1 mês, tinham falecido 100...
E que num total de 600 bebés nascidos, 40 sobreviveram, mas desses, muitos foram para outros sub campos e por isso não se sabe se resistiram ou não...

Não posso deixar de fazer referência ao trabalho destas mulheres numa das fábricas da Siemens. A empresa pagava ao campo valores irrisórios e as mulheres fazia todo o tipo de trabalho, em grande perigo para a sua vida e em condições terríveis. Nunca a Siemens foi a tribunal ou responsabilizada pelos seus atos... E não foi a única empresa alemã a recorrer a este tipo de mão de obra...

Quando a autora começa a falar da libertação do campo, queremos respirar de alívio pelo fim de tanto sofrimento mas não é isso que acontece...

Achei um livro um pouco difícil de acompanhar porque não é contado do ponto de vista de ninguém mas sim um conjunto de factos e relatos compilados. A autora avança e recua no tempo, há muitas personagens o que no início me dificultou a leitura.

Estes livros conseguem sempre transmitir sentimentos tão contraditórios: por um lado a crueldade do Homem mas por outro a amizade e a entre-ajuda destas pessoas que passaram por este inferno.

Um livro duro, cru e muito difícil de ler mas uma leitura necessária.

Leitura conjunta do grupo Marcada Pelos Livros. Obrigada a todas que acompanharam esta leitura.

Classificação: 4/5

sábado, 22 de agosto de 2020

Novidade de setembro - As Irmãs de Auschwitz de Rena Kornreich Gelissen e Heather Dune Macadam







SINOPSE

No dia 25 de março de 1942 às 8h00 da manhã, Rena Kornreich e 997 outras jovens mulheres foram forçadas a entrar num comboio, em Poprad, na Eslováquia, naquele que ficaria para a história como o primeiro transporte em massa de judeus para Auschwitz. Alguns dias depois, já no campo de concentração, Rena reuniu-se com a sua irmã Danka, dando início a uma história de amor e coragem, que duraria três anos e quarenta e um dias. Nenhuma outra sobrevivente desse primeiro transporte escreveu sobre a sua experiência (poucas sobreviveram). Talvez por isso este livro tenha o destaque merecido entre outros relatos da época, não só pelo longo período de tempo que as duas irmãs permaneceram em Auschwitz, mas também pelo espírito de amor que as fez sobreviver.

Cada dia se tornava uma luta para cumprir a promessa deixada à mãe quando a família fora forçada a separar-se - cuidar da irmã. Do contrabando de pão até à vida no limiar da existência, esta é uma obra arrebatadora sobre as fugazes conexões humanas, que determinaram e tornaram possível a sobrevivência. É uma história sobre os laços entre mães, filhas e irmãs. Uma obra que nos relembra que a humanidade e a esperança são capazes de sobreviver à desumanidade mais extrema.
CRÍTICAS
«Um livro extraordinário repleto de generosidade. O leitor não se esquecerá tão facilmente de Rena e da sua irmã Danka. Inspiradora e comovente, esta é uma obra que deve viver muito além das mulheres maravilhosas que a inspiraram.»
Alex Fuller

«Um testemunho memorável.»
Martin Gilbert

CRÍTICAS DE IMPRENSA
«O sentimento avassalador ao terminar é um triunfo: é possível encontrar abnegação e humanidade entre pessoas que viveram num dos lugares mais horríveis da história.»
Los Angeles Times Book Review

«Uma história incrível contada por uma das sobreviventes de Auschwitz... O número gravado no seu braço era tão baixo que os guardas quando o viam não acreditavam que alguém tivesse resistido tanto tempo.»
Kirkus Reviews

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Opinião - Uma Janela com Vista sobre os Telhados, Suzanne Kelman






Fiquei logo cheia de vontade de ler este livro quando li a sinopse.
Esta história é passada em Amesterdão na década de 40, ocupada pelos Nazis.

Vamos conhecer o professor Josef Held, o seu aluno Michael e a sua colega Hannah.
Com a chegada dos nazis, Michael, judeu e a namorada Elke tentam fugir da cidade mas sem sucesso. O professor acaba por acolher o seu aluno e escondê-lo no sótão da sua casa.
Josef faz de tudo para proteger o seu aluno.

Gosto muito de livros relacionados com a segunda guerra mundial e Holocausto e por isso, assim que comecei a ler, fiquei logo agarrada à história. Um livro viciante que se lê muito rapidamente.

Impossível não me emocionar com a história de vida destas personagens num dos piores episódios da história da humanidade.

Uma história baseada em factos verídicos, de coragem, resiliência, traição e essencialmente amor.
Recomendo sem reservas.

Foi lido em leitura conjunta com várias meninas do Instagram. Gostei muito da companhia para discutirmos este livro.

Classificação: 5/5


SINOPSE
1941, Amesterdão está ocupada pelos nazis. Uma inesquecível história de amor, esperança e traição, e um testemunho da coragem da Humanidade nos dias mais negros da História.
Quando os nazis ocupam a sua adorada cidade, o professor Josef Held sente-se impotente. Mas, ao descobrir que o antigo aluno Michael Blum anda a tentar fugir à Gestapo, oferece-lhe abrigo no seu sótão.
Na serena obscuridade desse aposento secreto, Michael fala-lhe da sua bela e destemida namorada, Elke, e garante que nem mesmo os nazis conseguirão separá-los. Mas Elke é uma rapariga holandesa não judia, e a sua relação é estritamente proibida.
Josef vê a determinação apaixonada no olhar do jovem amigo. Enfurecido com as regras impostas pelos cruéis soldados alemães e lembrando-se do seu próprio desgosto amoroso, sente-se desesperado para oferecer uma oportunidade ao amor de Michael e Elke. Mas é então que a tragédia o atinge e Josef é confrontado com uma escolha impossível.
Nos dias sombrios da guerra, com o perigo e a traição a cada esquina, não se pode confiar em ninguém. Para que Michael sobreviva e regresse para junto da mulher que ama, caberá a Josef encontrar o herói que há dentro de si, e fazer tudo que for preciso para manter Michael vivo. Mesmo que isso signifique colocar a sua vida em risco.
Uma bela e enternecedora história sobre coragem, altruísmo e sacrifício.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Opinião - A Holandesa de Ellen Keith





Esta é um livro narrado em dois tempos e em dois locais: em 1943 em Amesterdão e em 1977 em Buenos Aires.

Conhecemos a história de Marijke e Theo, um jovem casal holandês que colaborava com a Resistência, que foram detidos e enviados separadamente para campos de concentração. Aí Marijke, para fugir aos trabalhos forçados e ter melhores condições de vida, aceita trabalhar no bordel do campo de concentração. Aos presos que melhor trabalhavam, eram-lhe concedida uma ida ao bordel como recompensa. Confesso que desconhecia a existência destes bordeis nos campos de concentração para uso dos prisioneiros. Acompanhamos o dia-a-dia de Marijke nesta sua nova vida, as suas angustias e como o seu pensamento estava sempre em Theo e na esperança de o encontrar.

Em Buenos Aires em 1977 a história começa com dois homens a levar da sua casa Luciano, um jovem universitário que tinha participado numa manifestação estudantil contra o actual regime. Os pais não sabiam para onde ele foi levado e rapidamente Luciano percebe que está num cativeiro juntamente com muitas outras pessoas.

Não é uma leitura fácil devido aos temas abordados. É sempre difícil conhecer histórias da 2ª Guerra Mundial e do Holocausto. Porém acho que é necessário conhecê-las e não esquecê-las. Mas é angustiante alguns dos relatos descritos no livro...
Gostei muito desta leitura, o livro é de leitura fácil e rápida. Os capítulos são curtos e a narrativa é alternada entre a história de Marijke e Luciano o que nos dá muita vontade de prosseguir na leitura.
É uma história triste, difícil, de resiliência mas onde a esperança está sempre presente.

Recomendo sem reservas!

Classificação: 5/5

Agradeço à Bertrand Livreiros pela cedência deste livro.



SINOPSE

Amesterdão, maio de 1943. Ao mesmo tempo que as túlipas florescem, os nazis intensificam a opressão à cidade ocupada e os últimos sinais da resistência holandesa vão sendo eliminados. Marijke de Graaf e o marido são detidos e deportados separadamente para campos de concentração na Alemanha. Em Buchenwald, Marijke é confrontada com uma escolha impiedosa: sujeitar-se aos cruéis trabalhos forçados impostos aos prisioneiros ou, numa tentativa de sobrevivência, tornar-se prostituta no bordel do campo. 

Do outro lado do arame farpado, Karl Müller, oficial das SS, espera alcançar a glória militar que o seu pai acalenta. Porém, o encontro com Marijke muda radicalmente o seu destino. 

Buenos Aires, 1977. Está-se em plena Guerra Suja, num cenário de repressão implacável sobre os dissidentes do regime que vigora então na Argentina. Luciano Wagner está detido numa cela, sem esperança de algum dia escapar ao cativeiro político. 

Da Holanda à Alemanha, até à Argentina, a Holandesa é um romance soberbo que narra a história de três pessoas que partilham um segredo sombrio e que faz um relato impressionante de dois dos regimes mais violentos e repressivos da história moderna.