quarta-feira, 8 de junho de 2022
Opinião - Criada, A luta de uma mãe pela sobrevivência de Stephanie Land
segunda-feira, 6 de dezembro de 2021
Opinião - Nomadland Sobreviver na América no século XXI de Jessica Bruder
terça-feira, 16 de novembro de 2021
Opinião - Os Loucos Anos 20 Diário da Lisboa boémia de Paula Gomes Magalhães
O mundo respirava de alívio. Saída da grande guerra, ao ritmo de charlestons e foxtrots, a Europa vivia um período de otimismo, esperança, progresso e de alguma excentricidade. E Portugal não queria ficar de fora destes loucos anos 20.
O país vivia uma profunda crise política, com os governos a sucederem-se a um ritmo de semanas ou até mesmo dias, e uma crise social e económica. Portugal estava à beira da bancarrota, com uma população analfabeta, a viver sem condições, sem trabalho e dinheiro para os bens essenciais. Acentuava-se o fosso entre os ricos e os pobres.
Nas ruas de Lisboa, a sociedade mundana desfilava liberdade e elegância: cortes de cabelo à garçonne, os mais recentes modelos vindos de Paris, automóveis cada vez mais velozes. Assistia a corridas de cavalos no hipódromo, praticava desporto, lanchava nas mais conceituadas pastelarias, frequentava cafés e vivia devotada às últimas novidades do lazer e diversão, como o telefone ou a máquina fotográfica, sem esquecer os eletrodomésticos que agilizavam a vida de todos os dias. De noite, frequentava clubes e cabarets requintados, onde a música e a dança se misturavam com o jogo, o fumo e o álcool até ao romper da madrugada.
A investigadora Paula Gomes Magalhães traça neste livro, amplamente ilustrado, o retrato vivo da mais louca e veloz década de que há memória.
domingo, 25 de julho de 2021
Opinião - As Resistentes de Judy Batalion
Em As Resistentes, a autora, neta de sobreviventes polacos do Holocausto, transporta-nos para o período da Segunda Guerra Mundial na Polónia. Conta-nos como várias mulheres tiveram um papel importante neste tempo da nossa história. Infelizmente são histórias pouco conhecidas, pelo que a autora, após vários anos de pesquisa, quis deixar por escrito este relato verdadeiro da participação deste grupo de corajosas mulheres judias que se tornaram uma importante rede de resistência contra os nazis.
Os relatos centram-se em Reina Kukielka, na altura com apenas 17 anos, mas também em tantas outras mulheres que fizeram parte desta rede como Zívia, Frumka ou Chajka. Estas mulheres judias fizeram tudo o que podiam para lutar e resistir contra o nazismo: foram contrabandistas de pessoas, armas e granadas, documentos falsos e vários tipos de informação; foram sabotadoras, espiãs e serviram de correio para os mais variados fins; e até chegaram a combater. Esconderam armas dentro de pães, mensagens em código nos seus cabelos e contribuíram para a construção de bunkers subterrâneos onde vários judeus se refugiavam dos nazis. Fizeram-se passar por polacas cristãs e até resgatavam e sustentavam judeus escondidos.
"Frumka tornou-se obcecada: quem estivesse em condições de lutar não devia esperar que o salvassem! A autodefesa é o único meio de redenção! Morrer de uma morte heroica!"
"Tínhamos de ter uma vontade de ferro. Era isto que repetia a si mesma no comboio, enquanto atravessava florestas a toda a velocidade, passava por inspeções com armas presas no corpo, um sorriso estampado nos lábios."
Muitas destas jovens mulheres tinham um grande sentimento de culpa por terem sido, em alguns casos, as únicas sobreviventes na família. E penso que também por isso tinham este desejo de lutar, pois já não tinham nada a perder, além das suas vidas.
Apesar de ter havido quem quisesse transmitir a sua experiência, e até houve quem escrevesse as suas histórias, grande parte destas histórias da resistência foram silenciadas, porque não interessavam do ponto de vista político e até porque as achavam inverosímeis e falsas. E por isso nunca foram tidas como relevantes e importantes de divulgar, acabando por, passados 75 anos, a maioria destas mulheres extraordinárias ser desconhecida.
"Censuraram-se os escritos de algumas mulheres para se adequarem a motivações políticas, outros foram tratados com incredulidade acusados de serem uma invenção."
É óbvio que estes tempos foram terríveis, as perdas humanas foram em grande escala, mas, para mim, os sobreviventes tiveram de ter uma força incrível para superar, ou, pelo menos, tentar superar toda esta vivência. O que me perturba sempre que leio sobre estes temas é pensar que no fim da guerra, há um retorno à vida antes da guerra. Mas esse período pode ser tão ou mais duro do que a guerra em si. O "voltar a casa" para a grande maioria, é para quem e para onde? Tantas famílias completamente desfeitas, sobreviventes que nunca conseguiram juntar-se à família, casas e bens materiais que nunca foram recuperados... Não sei onde os sobreviventes foram buscar forças para se reerguer, numa época onde os cuidados mentais eram tão precários e irrelevantes, é isto que mais me perturba e me deixa a pensar.
Foi uma leitura dura, crua e real deste pedaço da nossa história. Não foi um livro que consegui ler de uma assentada, tive de ir alternando com outras leituras mais leves. E não é mais um livro sobre o Holocausto e a 2ª Guerra Mundial. São histórias desconhecidas de mulheres tão jovens que tiveram a coragem e até a audácia de lutar e fazer a diferença. Leitura obrigatória para quem gosta de saber mais sobre este período negro da história mundial.
Classificação: 4/5
Agradeço à editora o envio de um exemplar deste livro.
SINOPSEquarta-feira, 5 de maio de 2021
Opinião - Furriel Não é Nome de Pai, Catarina Gomes
sexta-feira, 5 de março de 2021
Opinião - Coisas de Loucos, Catarina Gomes
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021
Novidade de Março - O Homem Mais Feliz do Mundo de Eddie Jaku
Eddie Jaku nasceu na Alemanha em 1920 no seio de uma família judaica, sempre carregando com orgulho a sua nacionalidade. No entanto, tudo isso mudou drasticamente em Novembro de 1938, quando foi detido, espancado e levado para um campo de concentração. Depois de sobreviver aos mais desumanos horrores, perder os seus familiares, amigos e o seu país, Eddie fez uma promessa: sorrir todos os dias. Hoje acredita ser o «homem mais feliz do mundo».
Por ocasião do seu 100. º aniversário, Eddie Jaku oferece-nos um testemunho poderoso, desolador e, ao mesmo tempo, derradeiramente optimista de como a felicidade pode ser encontrada até no momento mais sombrio da Humanidade.
quarta-feira, 14 de outubro de 2020
Opinião - As Irmãs de Auschwitz Rena Kornreich Gelissen e Heather Dune Macadam
No dia 25 de março de 1942 às 8h00 da manhã, Rena Kornreich e 997 outras jovens mulheres foram forçadas a entrar num comboio, em Poprad, na Eslováquia, naquele que ficaria para a história como o primeiro transporte em massa de judeus para Auschwitz. Alguns dias depois, já no campo de concentração, Rena reuniu-se com a sua irmã Danka, dando início a uma história de amor e coragem, que duraria três anos e quarenta e um dias. Nenhuma outra sobrevivente desse primeiro transporte escreveu sobre a sua experiência (poucas sobreviveram). Talvez por isso este livro tenha o destaque merecido entre outros relatos da época, não só pelo longo período de tempo que as duas irmãs permaneceram em Auschwitz, mas também pelo espírito de amor que as fez sobreviver.
Cada dia se tornava uma luta para cumprir a promessa deixada à mãe quando a família fora forçada a separar-se - cuidar da irmã. Do contrabando de pão até à vida no limiar da existência, esta é uma obra arrebatadora sobre as fugazes conexões humanas, que determinaram e tornaram possível a sobrevivência. É uma história sobre os laços entre mães, filhas e irmãs. Uma obra que nos relembra que a humanidade e a esperança são capazes de sobreviver à desumanidade mais extrema.
Alex Fuller
«Um testemunho memorável.»
Martin Gilbert
Los Angeles Times Book Review
«Uma história incrível contada por uma das sobreviventes de Auschwitz... O número gravado no seu braço era tão baixo que os guardas quando o viam não acreditavam que alguém tivesse resistido tanto tempo.»
Kirkus Reviews
sexta-feira, 18 de setembro de 2020
Novidade de novembro
domingo, 2 de agosto de 2020
Opinião - O Carteiro de Auschwitz de Joe Rosenblum e David Kohn

































