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quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Opinião - Rei Branco de Juan Gómez-Jurado

 




Rei Branco, o último livro que encerra trilogia Antónia Scott.

“Espero que não te tenhas esquecido de mim. Queres jogar? Foi esta a mensagem que Antónia recebe no seu telefone e é assim que vai começar mais uma aventura alucinante.

 Neste livro que vamos conhecer e entender o que ficou sem explicação nos dois livros anteriores. É um fechar de ciclo, onde as pontas soltas são atadas de uma forma inteligente. É, mais uma vez, uma trama cheia de ritmo, tensão e intriga, mas com o habitual toque de humor e sarcasmo.

Com capítulos curtos que incentivam a leitura rápida, este terceiro livro é um autêntico “page turner”. O primeiro livro foi o meu preferido, mas a série está muito bem construída. Antónia é de facto uma personagem única que emparelha bem com o Jon. Vou ficar com saudades desta dupla!

Recomendo a quem goste de um bom thriller repleto de segredos e intriga.

"Três casais que fingem prestar-se atenção enquanto vêem o seu Instagram, dois hipsters que fazem de conta que escrevem um romance nos seus MacBooks, um assassino psicopata. É mais fácil reconhecer o último, é o único que, em vez de um dispositivo eletrónico, tem um livro de papel na mão."

 Classificação: 4/5


Obrigada à Planeta Editora a oferta de um exemplar.

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Opinião - Maria Montessori e a Escola da Vida de Laura Baldini

 


Ver mais aqui



Em jeito de biografia romanceada, a autora italiana Laura Baldini conta a história desta incrível mulher.

Maria Montessori quebrou muitas das regras sociais e morais da sua época, finais do Séc. XIX. Começou por ter nascido no seio de uma família que, apesar de alguma resistência do pai, Alessandro, teve sempre o apoio da mãe para estudar.

Com 26 anos de idade tornou-se a primeira mulher médica em Itália, depois de ter sofrido bastante com os seus colegas homens, que não queriam uma mulher médica, além de muitos dos seus professores a tratarem de modo diferente.

Após a conclusão do seu curso foi trabalhar com crianças com necessidades especiais para uma clínica psiquiátrica em Roma. Nesta instituição as crianças consideradas à época deficientes passavam o dia inteiro enfiadas dentro de um quarto, sentadas na cama e sujeitas a tratamentos cruéis como os banhos de água fria e até os choques elétricos.

Maria Montessori conseguiu com os seus estudos, persistência e resiliência, dar uma nova vida a estas crianças, que foram capazes de aprender coisas que ninguém acharia possível. Rapidamente tornou-se uma pessoa conhecida e admirada em toda a Itália e até na europa, onde se deslocou várias vezes para discursar em várias conferências.

A autora também nos conta sobre a vida pessoal de Maria, a relação com os pais, a sua amiga de longa data, Anna e até a relação muito especial que teve com um homem.

Uma história que adorei conhecer, pouco sabia da vida desta mulher fantástica. Conhecia apenas um pouco do método de ensino que criou. Maria Montessori foi uma mulher extraordinária que deixou um legado muito importante e valioso e que impactou e deixou marca em tantas pessoas, especialmente nas crianças de todo o mundo. Uma mulher muito à frente do seu tempo e que nunca deixou de lutar pelos seus sonhos, apesar das inúmeras barreiras que foi encontrando. Foi uma grande oradora e conseguiu que a sua voz se fizesse ouvir num mundo onde só os homens se destacavam.

➡️ A não perder ⬅️

⭐⭐⭐⭐

Obrigada à editora Alma dos Livros pela oferta deste livro.



domingo, 21 de agosto de 2022

Opinião - Sashenka de Simon Sebag Montefiore

 




    Em Sashenka vamos mergulhar na história da Rússia, desde o fim dos Czares até ao período pós-soviético.

    O livro está dividido em três partes:

    A primeira parte remete-nos para 1916, altura em que Sashenka tem 16 anos, frequenta um colégio feminino. Um dia a polícia detém-na à porta do colégio e é levada para a prisão acusada de espionagem. O seu Tio Mendel é bolchevique e recrutou-a para ser espia, ficando conhecida com o nome de código “Raposa da Neve”.Criada no seio de uma família rica e influente, com ligações ao Czar, Sashenka não se identifica minimamente com o modo de vida dos pais.

    A segunda parte é passada em 1939, para Moscovo, quando Sashenka é casada com um membro do partido comunista, Vanya e tem dois filhos Carl e Branquinha. Sashenka e começam a temer pelos seus filhos e pelas suas vidas quando surge uma onda de desaparecimentos de pessoas à volta da desta família. Um clima de terror onde a polícia secreta persegue quem cometeu crimes contra o partido comunista. É então que a vida desta família terá um trágico destino quando Sashenka se apaixona perdidamente por Benya Golden.

   Na terceira parte desta história, passada em 1994, Katinka, uma jovem historiadora Russa é contratada por Roza Getman para descobrir o que aconteceu à sua família, de quem nada sabe, na Rússia durante o período estalinista. Enquanto Katinka faz a sua investigação, depara-se com o nome de Sashenka.

  Eu adoro uma boa saga familiar e este livro prendeu-me logo nos primeiros capítulos. Gostei de conhecer todo o ambiente à volta da ascensão do comunismo russo, que tão bem o autor descreveu. Como a espionagem e contraespionagem funcionavam, a polícia secreta, os agentes duplos, assim como os campos de trabalho bolcheviques. Mas confesso que o me arrebatou foi a terceira parte do livro, onde há a procura pelo que aconteceu após o final abrupto da segunda parte do livro. Adorei toda a investigação e como Katinka conseguiu seguir as pistas e ligar factos para chegar à descoberta final. Foi a cereja no topo do bolo.

    Com uma escrita clara e cativante, é um livro a não perder para os amantes de sagas familiares e romances históricos. Uma história sobre família, amor, luta e sobrevivência que me emocionou.

    Este livro é o primeiro da chamada trilogia de Moscovo, pelo que fico ansiosamente à espera para ler o segundo livro.

     Classificação: 4/5


    Agradeço à editora a oferta de um exemplar.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Opinião - O Código Katharina de Jørn Lier Horst

 




Este é o segundo livro que leio do autor da série William Wisting.

Em O Código Katharina, somos transportados para uma pequena cidade na Noruega, onde o detetive Wisting vive, numa casa na mesma rua que a sua filha Line e neta Amalie.

O dia 9 de outubro está a chegar, o dia em que Katharina Hauger desapareceu sem deixar qualquer rasto. Apenas um papel deixado na cozinha com números, linhas e uma cruz, o Código Katharina.

Wisting foi o detetive que investigou o caso há 24 anos e que nunca foi resolvido. Todos os anos o detetive volta a analisar o processo há procura de alguma coisa que lhe tenha escapado. Todos os anos, nesse dia, Wisting visita o marido de Katharina, Martin.

Só que este ano, Martin não se encontra em casa quando Wisting o vai visitar nem atende as suas chamadas. Algo de estranho se está a passar…

Em simultâneo, aparece um investigador de Oslo, Stiller, especialista em casos arquivados que pensa que Martin é suspeito no rapto de uma jovem, Nadia Krogh, pouco tempo antes do desaparecimento de Katharina.

Mais uma boa leitura, neste ambiente frio e sombrio das florestas da Noruega. Gosto muito do detetive Wisting e apreciei bastante conhecer mais da sua vida pessoal, assim como do envolvimento da filha Line nesta história.

É um livro que vicia logo nos primeiros capítulos e que é um autêntico “page turner”. A escrita do autor é envolvente e os conhecimentos que o autor tem sobre as investigações estão bem presentes. Apesar de ser uma série, não é necessário ler este livro por ordem.

Se gostam de thrillers nórdicos, passados em cenários sombrios, esta série é um “must read”.


Classificação: 4/5


Obrigada à editora pelo envio de um exemplar.




quarta-feira, 8 de junho de 2022

Opinião - Criada, A luta de uma mãe pela sobrevivência de Stephanie Land

 






    Stephanie Land sempre quis ser escritora. Conseguiu realizar o seu sonho e escreveu sobre a sua própria experiência de vida. A vida de uma jovem mãe, que cedo na gravidez foi abandonada pelo seu parceiro, um romance de verão. A vida de uma mãe que luta por sobreviver num país onde a desigualdade social é cada vez mais acentuada e onde trabalhar já não é suficiente para viver.

    Vendo-se a braços com um bebé recém-nascido, com os seus planos de estudar na universidade interrompidos, sem qualquer apoio da sua família mais próxima, a maioria a viver longe da sua zona de residência, Stephanie começa a trabalhar numa empresa de empregadas domésticas. Aceita o máximo de casas que consegue, tenta obter todas as ajudas estatais a que tem direito para que possa sobreviver até ao fim do mês e nada faltar à filha. Consegue ir para alguns abrigos, a maioria com más condições de salubridade, tentando sempre melhorar o interior da casa para se adequar a ela e à filha Mia.

    Num retrato duro e bastante emotivo, Stephanie relata como foi conseguindo sobreviver, muito com a ajuda social existente no EUA. Mas mostra-nos como não é de todo fácil ter acesso aos apoios sociais e como os requisitos a ter e a manter durante o tempo em que a ajuda é concedida, são extremamente rigorosos. Fiquei chocada por saber que as pessoas que beneficiam destes apoios são altamente discriminadas e apontadas na rua e nos supermercados, por exemplo, quando ela usa os chamados "food stamps", ou vales de comida que podem ser descontados.

    Gostei bastante de ler esta autobiografia e ficar a conhecer mais da realidade de um dos países mais ricos do mundo, ficar a conhecer aquilo que não se mostra nos filmes e nas séries. Uma realidade que em vários aspectos também existe por cá e certamente em muitos outros países...
Um livro que nos leva a refletir sobre o que é importante e se é num sistema assim que queremos viver. Uma história de vida que mostra como vivem os novos pobres: aqueles que trabalham longas horas e ainda assim não conseguem sobreviver e sair do limiar da pobreza. Mas é também uma história de resiliência, superação e segundas oportunidades.

Há uma série na Netflix inspirada neste livro, como o mesmo nome, que vou querer ver.


Classificação: 4/5


Agradeço à editora o envio de um exemplar.




SINOPSE

Quando Stephanie Land ficou grávida, como resultado de um romance de verão, os seus sonhos de estudar na universidade para se tornar escritora foram bruscamente interrompidos. Mãe solteira, sem estudos, sem dinheiro, sem ajudas que não as dos programas alimentares do governo dos EUA, sobreviveu e cuidou da filha a trabalhar como empregada doméstica para famílias de classes média e alta, saltando de abrigo em abrigo, de desalento em desalento.

Nesta autobiografia, que transforma numa violenta crónica social, Land escreve sobre as desesperadas histórias dos cidadãos estado-unidenses sobrecarregados e sub-remunerados, sempre abaixo de um limiar de pobreza, por mais que trabalhem, por mais que se esforcem.

Com uma escrita íntima e uma visão emotiva, Criada é também o exemplo da superação: os estudos feitos pela autora, à noite, até chegar à licenciatura e à oportunidade para reencontrar o caminho de uma vida própria.
Criada, bestseller do The New York Times, foi o livro que inspirou a série com o mesmo nome, em exibição na Netflix.

CRÍTICAS
«A desigualdade social dos Estados Unidos sob o olhar de uma mãe, um relato da luta de muitas famílias em busca de sobrevivência e um lembrete de que há dignidade em todo o tipo de trabalho.»
Barack Obama


domingo, 5 de junho de 2022

Opinião - Tempo de Mulheres de Carmen Korn

 






    Segundo livro da trilogia, a autora remete-nos para o período do pós guerra, entre 1949 e 1969. Continuamos a acompanhar estas quatro mulheres: Henny, Kathe, Ida e Lina. Agora também vamos acompanhar os seus filhos e conhecer esta nova geração no renascer das cinzas da segunda guerra mundial.

    Novamente este livro está recheado de momentos e referências histórias que nos ajudam a situar estas personagens na realidade da época: a construção do Muro de Berlim, o lançamento do Apolo 11, o surgimento das pílulas contraceptivas (que só podiam ser receitadas a mulheres casadas), dos Beatles e da televisão. Temas fortes e sensíveis como a doença, a infertilidade, o aborto e a homossexualidade são abordados neste segundo livro. Confesso que me perturbou bastante perceber como o casal homossexual desta história teve uma vida tão dura, vivendo como criminosos apenas por gostarem de alguém do mesmo sexo. Sendo crime na altura, o casal tinha de fingir que não eram amantes, nem viviam juntos, tendo inclusivamente de arranjar "falsas" namoradas para não desconfiarem da sua homossexualidade. Muito triste como perderam tantos anos juntos que podiam ter sido maravilhosos mas não foram...

    Gostei muito da continuação desta história e estou desejosa de ler o último livro que encerra a trilogia, pois, mais uma vez, a autora brindou-nos com um final que me aguçou bastante a curiosidade para ler o livro seguinte.

    Uma trilogia que recomendo para quem goste de um bom romance histórico.

    Leitura conjunta com a Sandra, a Bela e a Bruna.


    Classificação: 4/5

    Agradeço à editora o envio de um exemplar.

 
SINOPSE

Quatro amigas.
Duas guerras mundiais.
A fascinante história do século XX.

1949. A guerra terminou. Os nazis foram derrotados. A cidade de Hamburgo ficou reduzida a cinzas, muitos ficaram sem casa para a qual regressar. É preciso reerguerem-se dos escombros. É o que tenta fazer Henny, incapaz de esquecer o olhar da sua amiga Käthe naquele elétrico… Se Käthe sobreviveu à guerra, porque não entrou em contacto com ela? Lina abriu uma livraria e luta por levar o seu negócio adiante.

Ida está desiludida com a sua relação com Tian, apesar de tudo o que viveram juntos. Durante décadas, as quatro amigas partilharam a felicidade e a tristeza, as pequenas alegrias, bem como os momentos mais sombrios. Agora, os seus filhos crescem num mundo novo e também eles têm histórias para contar.

Começam, finalmente, os anos do milagre económico e das revoluções sociais, que marcaram as décadas de 1950 e de 1960: a construção do Muro de Berlim, o aparecimento da pílula contracetiva e da televisão, o início dos movimentos estudantis e a música dos Beatles. Mas ainda há um longo caminho a percorrer…

A tão aguardada segunda parte da trilogia que conquistou mais de 2 milhões de leitores em todo o mundo.


domingo, 15 de maio de 2022

Opinião - A Livreira e o Ladrão de Oliver Espinosa


 
                                                                     


         Um livros sobre livros e uma livraria chama sempre a minha atenção!

       Laura é a proprietária da Livraria Loire, em Madrid, herdada de seu pai que a fundou. Infelizmente o negócio não vai de vento em popa, muito pelo contrario, Laura está num desespero para tentar salvar a livraria do pai. Cheia de dívidas devido a um empréstimo com um agiota e estando o prazo para o pagamento a chegar, resta apenas a Laura vender o que de mais valioso tem: o manuscrito de O Inferno da Divina Comédia que está na sua família há várias gerações. Quando o resolve vender, descobre que o manuscrito que tem na livraria é uma falsificação. Quem terá roubado o manuscrito original? Como irá Laura resolver os problemas financeiros da livraria Loire?

       Esta é a premissa desta história que gostei bastante de ler. Uma leitura envolvente que me prendeu desde os primeiros capítulos. Gostei bastante do "plot twist" que há nesta trama e desconfiei dele no início mas não me tirou a vontade e o gozo da leitura. Um livro escrito em várias linhas temporais e que contem muitas referências e citações de vários livros antigos, o que me permitiu aprender sobre o mundo dos livros raros, do mercado negro em torno deles e das falsificações. É também um livro sobre amor, amizade e segundas oportunidades. Não posso dizer que o final desta história me tenha surpreendido mas ainda assim foi do meu agrado. 

Uma história que recomendo a quem gosta ou tenha interesse em saber mais sobre o mundo dos livros raros.

Classificação: 4/5


Agradeço à Clube do Autor o envio de um exemplar.



SINOPSE

Há pessoas que amam tanto os livros que não resistem a roubá-los. Sobretudo se se tratar de edições raras, livros antigos e valiosos. E isto não é ficção. Unindo a longa tradição literária de ladrões de livros ao ritmo frenético de um thriller contemporâneo, A Livreira e o Ladrão é um hino à bibliofilia, altamente recomendado para todos os leitores que gostam de livros sobre livros.

Um ladrão, uma livreira e livros raros Mundos opostos ou uma combinação explosiva? Logo, logo veremos Laura está desesperada. Depois de várias tentativas infrutíferas para salvar a sua livraria, só lhe resta vender o bem mais precioso o manuscrito medieval de O Inferno da Divina Comédia de Dante, na família há gerações. Mas quando está prestes a concluir o negócio, constata que o livro fora trocado por uma falsificação amadora. A suspeita recai na sua antiga paixão, um ladrão de livros. Com a ajuda de Marcos, antigo mentor de Pol, Laura descobre que o antigo namorado está morto.

Então quem pode ter sido?

domingo, 8 de maio de 2022

Opinião - Mulheres de Sal de Gabriela Garcia

 






Mulheres de Sal é um livro sobre mulheres, da mesma família e de cinco gerações diferentes. 
Vamos conhecer Jeanette que vive no presente em Miami, é filha de Carmen, imigrante cubana. A relação entre ambas não é pacífica devido às escolhas de Jeanette, mas a relação de Carmen com a sua mãe Dolores (que ficou na sua terra natal) também não.
Um dia Jeanette decide acolher a filha da sua vizinha Glória, também ela imigrante que foi detida e levada para um centro de imigrantes para ser repatriada. 
Jeanette viaja para Cuba para conhecer a família que lá ficou, nomeadamente a sua avó Dolores e tentar entender o que se passou entre a avó e a sua mãe.
Mas também vamos conhecer a história de Maria Isabel da mesma família, na Cuba de 1866, trabalhadora numa fábrica de tabaco, assim como toda a situação política e social da época.

É uma história crua e dura, que aborda temas muito atuais como a emigração, o repatriamento de emigrantes, o consumo de drogas, e relações abusivas. São mulheres fortes que lutam pela sua sobrevivência num mundo de desigualdades e injustiça. 

Apesar de ter gostado da história de todas estas mulheres, achei a narrativa por vezes confusa na linha temporal, senti que me perdi um pouco. No fundo são pequenas histórias sobre as várias personagens que têm alguma ligação entre si. Na minha opinião esta estrutura tornou-se confusa. 
Não sei se por ser um livro mais pequeno, achei que ficou algumas respostas por dar e senti que o final foi um pouco apressado
 e por isso não consegui desfrutar desta leitura da forma que queria e esperava. Ainda assim recomendo a leitura por abordar temas muito atuais e importantes.

Classificação: 3/5

Agradeço à Cultura Editora o envio de um exemplar.



SINOPSE

Na Miami do presente, Jeanette luta contra o vício. Filha de Carmen, uma imigrante cubana, está determinada em saber mais sobre a história da sua família e toma a decisão imprudente de acolher a filha de uma vizinha levada pelo Departamento de Imigração. Carmen, ainda a lutar com o trauma da mudança, tem de processar a relação difícil que tem com a sua própria mãe enquanto tenta criar uma Jeanette rebelde.
Firme na sua busca por respostas, Jeanette viaja para Cuba para encontrar a avó e desvendar os segredos do passado.

Desde as fábricas de tabaco do século XIX aos centros de detenção atuais, de Cuba ao México, Mulheres de Sal de Gabriela Garcia são um caleidoscópio de traições - pessoais e políticas, autoimpostas e infligidas por outros - que moldaram a vida destas mulheres extraordinárias. Uma reflexão assombrosa sobre as escolhas das mães, o legado das memórias que carregam e a tenacidade das mulheres que escolhem contar as suas histórias apesar de tentarem silenciá-las. Este é mais do que um livro sobre diáspora, é a história das raízes humanas mais emaranhadas e honestas da América.


segunda-feira, 2 de maio de 2022

Opinião Sira, de Maria Dueñas

 

                                                    

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❗Atenção: Esta opinião pode conter spoilers do primeiro livro ❗


Depois de O Tempo Entre Costuras vamos novamente encontrarmo-nos com Sira. Desta vez uma Sira mais madura que passou por tantos desafios no seu passado. Casada com Marcus e grávida do filho de ambos, estão a viver na Palestina, no final da Segunda Guerra Mundial, numa fase de grande instabilidade política e social. É então que Sira vai sofrer um novo e trágico revés na sua vida que a levará para Inglaterra.

Mais uma vez um grande livro com uma história muito bem escrita e muito envolvente. A autora consegue prender o leitor às personagens, entender o seu sofrimento, sentir empatia mas também alegrar-se com as suas conquistas.

Gostei muito desta leitura onde as referências históricas e políticas estão sempre presentes e na dose certa para situar o leitor na época e nos vários cenários desta narrativa: Palestina, Inglaterra, Marrocos e Espanha. Vamos acompanhar a visita oficial de Eva Peron a Espanha e confesso que gostei bastante desta parte da narrativa. Uma história sobre resiliência, recomeços, família e amor que apreciei ainda mais que o primeiro livro.

Sira é uma personagem fantástica, com uma grande capacidade de adaptação a diversas realidades, independente e por isso mesmo muito à frente da sua época. Daqueles livros que fiquei com pena de ter terminado e que ficaria muito feliz se houvesse nova sequela.


Classificação: 4/5


Agradeço à Porto Editora o envio de um exemplar.


SINOPSE

A Segunda Grande Guerra está a chegar ao fim, e o mundo avança para uma reconstrução tortuosa. Depois de cumprir as suas obrigações como colaboradora dos serviços secretos britânicos, Sira encara o futuro ambicionando alguma serenidade. Mas essa paz tarda em chegar. O destino reserva-lhe um infortúnio trágico que a obrigará a reinventar-se e a, mais uma vez, tomar as rédeas da sua vida sozinha e lutar com todas as forças para se adaptar ao futuro.
Entre factos históricos que marcarão uma época, Jerusalém, Londres, Madrid e Tânger serão os cenários para as novas aventuras de Sira, onde enfrentará desgostos e novos riscos, reencontros inesperados e a experiência da maternidade.
Sira Bonnard – antes de Arish Agoriuq, antes de Sira Quiroga – não é a inocente costureira que nos deslumbrou com figurinos e mensagens clandestinas, mas o seu encanto permanece intacto.
Sira está de volta, carismática e inesquecível.
O regresso da protagonista de O tempo entre costuras.

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Opinião - A Maldição de Lourenço Seruya

 




Neste segundo livro do autor Loureço Seruya, vamos acompanhar mais uma investigação dos inspectores Bruno Saraiva e Diana Antunes.

Com o teatro como tema de fundo, a peça A Pedra do Pecado vai estar em cena quarenta anos após a última vez. Esta peça já tinha sido apresentada duas vezes e das duas vezes houve um acontecimento trágico: nas estreias a atriz principal morreu, surgindo depois a ideia de que a peça estaria amaldiçoada.
Apresentada no Teatro da Passagem, no dia da estreia há todo um clima tenso devido à suposta maldição. A sala está com lotação esgotada e o mais temido acontece mesmo... Bruno e Diana são chamados a investigar o sucedido.

Gostei muito desta história (um pouco mais do que a anterior) e do ritmo que teve ao longo de todo o livro. A história prendeu-me desde cedo, onde os capítulos curtos e o ritmo da ação fizeram com que a leitura fosse muito rápida e viciante. Gostei do ambiente fechado e claustrofóbico do teatro que o autor conseguiu transmitir e de conhecer um pouco dos bastidores e do funcionamento do teatro. Quanto à investigação, nunca suspeitei do culpado e muito menos das suas motivações.
Ficámos a saber um pouco mais das histórias pessoais do Bruno e da Diana, espero que o autor continue a desvendar mais nos próximos livros.
O final da história deixou-me com grande expetativa para o próximo livro da dupla Bruno e Diana. Vou sofrer até saber o que se passou. Que venha o próximo!

Classificação: 4/5

Agradeço à editora o envio de um exemplar e ao autor a dedicatória.




SINOPSE

A mais recente investigação do inspetor Bruno Saraiva leva-o até ao Teatro da Passagem, em Lisboa.
A Pedra do Pecado foi representada apenas duas vezes em Portugal, uma em 1977 e outra em 1982.
Foram encenadas por companhias diferentes, mas houve um acontecimento comum: em ambas as estreias morreu a atriz principal.
Apesar de essas mortes terem sido consideradas de causas naturais, surgiu a crença de que a peça estaria amaldiçoada…
Durante muito tempo nenhum encenador ousou voltar a pegar nesse texto.
Até que, quarenta anos depois, o Teatro da Passagem decide levá-la à cena novamente…
O dia da estreia chega finalmente e o ambiente é de tensão e nervosismo. Será que A Pedra do Pecado está mesmo amaldiçoada? Será que naquela estreia vai voltar a haver uma morte?

O público acorreu em massa ao Teatro da Passagem, enchendo a sala como há muito não acontecia. Nos bastidores, os atores já estão prontos a entrar em palco. O pano sobe e o espetáculo começa… Mas um deles não vai chegar vivo ao final.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Resultado do Passatempo 5º Aniversário

 

Aqui ficam os vencedores do passatempo do 5º aniversário.



🎉Liliana Diniz vai receber O Cobrador 🎉





 🎉E a Maria Santos vai receber Dr. B 🎉





🎈Parabéns às vencedoras! Agradeço a todos os que participaram neste passatempo. 🎈
Peço às vencedoras para me enviarem um email com os vossos dados para envio do prémio.




quinta-feira, 7 de abril de 2022

Opinião - O Sanatório de Sarah Pearse

 





Fiquei de olho neste livro da primeira vez que ouvi falar nele no Clube de Leitura da Reese Witherspoon, na esperança de que fosse publicado rapidamente em Portugal.

A detetive Elin Warner e o namorado Will foram convidados a passar uns dias num luxuoso hotel situado na Crans-Montana, na Suíça, para celebrar o noivado do irmão Isaac com Laure. Elin e o irmão não mantém uma relação muito próxima devido a situações dos seus passados. A detetive considerou que esta era uma ocasião perfeita para acertar as desavenças e retomar uma boa relação com Isaac.

Assim que Elin chega ao isolado hotel, rodeado de floresta, sentiu-se pouco à vontade e com uma sensação estranha, afinal o hotel tinha sido um antigo sanatório. No dia seguinte, a futura cunhada desaparece sem deixar rasto, ao mesmo tempo que se aproximava uma forte tempestade. O hotel fica completamente isolado sem contacto com o exterior e afinal há mais do que uma pessoa desaparecida...

Esta é a premissa deste livro, onde a autora conseguiu muito bem criar o cenário isolado, gelado e até sinistro desta história. Foi um livro de leitura compulsiva com os ingredientes perfeitos para tornar esta história viciante: capítulos curtos, várias histórias paralelas e uma detetive com problemas por resolver. A autora conseguiu criar a suspeita em várias das personagens e a resolução da história surpreendeu-me!
Gostei muito de conhecer o passado da detetive Elin e o epilogo deixou-me completamente arrebatada, com uma grande necessidade de ler o livro seguinte para saber o que vai acontecer!


Classificação: 4/5


Agradeço à Porto Editora o envio de um exemplar e dou os parabéns pela campanha de marketing, com uns teasers muito giros e eficazes em aguçar a curiosidade dos leitores.


SINOPSE

Meio escondido na floresta e rodeado pelos picos ameaçadores das montanhas, Le Sommet sempre foi um lugar sinistro. Desde há muito objeto de rumores preocupantes, o antigo sanatório abandonado é alvo de uma intensa renovação e transformado num hotel de luxo com características singulares, recordações funestas da sua história...
Um hotel sumptuoso e isolado nos Alpes é o último lugar onde a detetive Elin Warner, ainda a recuperar de uma intensa investigação policial, deseja estar. Mas quando recebe um convite inesperado para comemorar o noivado de Isaac, o irmão de quem há muito se afastou, Elin não tem sequer a desculpa do trabalho para não aceitar. Chegou por fim o momento de ajustar contas com o passado e enfrentar memórias dolorosas.
A chegada a Le Sommet coincide com o início de uma tempestade ameaçadora, e Elin sente-se tensa – há algo no hotel que a deixa com os nervos em franja. Quando acorda na manhã seguinte e descobre que Laure, a noiva de Isaac, desapareceu sem deixar rasto, a sua inquietação aumenta ainda mais. Mas não é a única: com a tempestade a impedir todos os acessos ao hotel, os restantes hóspedes começam aos poucos a entrar em pânico.
No entanto, ainda ninguém deu conta de que houve mais desaparecimentos...

CRÍTICAS DE IMPRENSA
Uma estreia impressionante, que é também uma nova abordagem ao clássico policial em quarto fechado, num cenário gótico maravilhosamente assustador. A prosa afiada cria suspense através de uma série de reviravoltas que darão calafrios ao leitor, rumo a um final imprevisível. Este thriller inteligente e sedutor merece ser um bestseller.

Sunday Express

Pearse não se limita a conceber personagens plausíveis; ela também retrata brilhantemente a paisagem gelada e fustigada pelos ventos de Le Sommet. […] O epílogo arrepiante torna ainda mais urgente uma sequela. Os leitores de policiais vão querer ficar de olho em Pearse.

Booklist

A lembrar a atmosfera do The Shining e o ritmo de A Rapariga no Comboio, [O Sanatório] vai agradar aos fãs de suspense.

Vanity Fair

Um romance misterioso e atmosférico, que me deixou arrepiada.

Reese Witherspoon

Lentamente, os obscuros segredos escondidos no sinistro edifício emergem das sombras. Há ecos de Hitchcock e de [Daphne] Du Maurier; mas Pearse tem a sua própria voz, distinta e emocional – e que deve ser admirada.

Daily Mail


segunda-feira, 28 de março de 2022

Opinião - O Curador de M. W. Craven

 




Depois de ter devorado o segundo livro da série Washington Poe, estava muito curiosa com este terceiro livro. Posso desde já dizer que não desiludiu e M. W. Craven voltou a surpreender!

Nesta história a fantástica dupla Poe e Tilly são chamados a investigar um novo caso: uma assassino em série deixou várias partes de três vítimas em vários locais da Cúmbria, um condado no norte da Inglaterra, com uma estranha inscrição.  As vítimas foram "tratadas" de forma muito diferente o que cria muitas dúvidas em Tilly e Poe. A superintendente Jo Nightingale e a detetive Stephanie Flynn vão precisar muito da ajuda desta dupla pois as vitimas nada têm em comum. 

Quando começam a recolher algumas provas, Poe é contactado por uma agente do FBI que acha que os crimes que Poe investiga muito semelhantes com um caso que ela já teve, no passado, em mãos. A agente Melody Lee é uma agente caída em desgraça e cuja reputação está pelas ruas da amargura mas é ela que lhe vai dar a conhecer O Curador.

É impossível não ficar agarrada a este livro e a toda esta trama tão bem construída. Poe e Tilly são uma dupla incomparável, uma parceria perfeita: a inteligência de Tilly e a perspicácia de Poe. A Tilly está um pouco mais sociável e as suas tiradas sem filtro são cada vez menos (o que lamento, pois adoro-as!). É um livro cheio de ação, intenso que nos deixa completamente viciados, um autêntico "page turner". Com um final absolutamente surpreendente que jamais teria adivinhado, impossível não ficar ansiosa pelo quarto volume desta série.

Capítulos curtos, vários twists, muito suspense, um enredo macabro e negro, e um final de deixar o queixo caído, são estes os ingredientes que tornam este livro simplesmente fantástico!

Quem ainda não conhece esta dupla, aviso que estão a perder três excelentes livros! De leitura obrigatória para quem adora thrillers/policiais.


Classificação: 5/5


SINOPSE

É Natal. Um assassino em série expõe partes das suas vítimas por todo o condado de Cúmbria, deixando no local do crime sempre a mesma estranha inscrição: #BSC6.

Chamados para investigar, o inspetor Washington Poe e a analista de dados Tilly Bradshaw enfrentam um caso que não faz sentido. Por que razão algumas vítimas foram anestesiadas, enquanto outras morreram em terrível agonia? Porque é que, apesar das provas irrefutáveis, o único suspeito nega tudo, mas, ao mesmo tempo, admite coisas das quais nem os investigadores tinham conhecimento? E como explicar que todas as vítimas tenham tirado as mesmas duas semanas de férias três anos antes?

A investigação ganha contornos mais sombrios quando Melody Lee, uma agente do FBI caída em desgraça, entra em contacto com Poe. Ela não acredita que estejam a lidar com um assassino em série; ela crê que estão a perseguir alguém muito, muito pior: um homem que se autodenomina Curador.

CRÍTICAS DE IMPRENSA
«M. W. Craven claramente estudou os mestres. Intrigante, perturbador e de ritmo acelerado.»
The Times

«Soberbo.»
Daily Mail

«Arrebatador.»
The Sun

quinta-feira, 17 de março de 2022

Opinião - Eu sei o que vocês fizeram de Dorothy Koomson

 


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Acacia Villa é uma urbanização na cidade britânica de Brighton, onde, a partir do dia 1 de junho de 2020, nada vai ser igual ao que era!

Neste dia batem à porta de Rae, uma das residentes da urbanização com tremenda força. É Priscilla, uma vizinha de 50 anos que, atabalhoadamente lhe diz: "Eu sei o que vocês fizeram". Rae não entende o que se está a passar e Priscilla acaba por lhe entregar um caderno que diz conter todas as explicações e a indicação de quem a matou. Refere ainda que foi atacada e que Rae não deve confiar em ninguém. Rae entra em casa para ir chamar uma ambulância, quando volta à porta, Priscilla desapareceu... 

Rae fica na dúvida entre entregar o diário de Priscilla às autoridades, ou ficar com ele e ler todos os segredos da vizinhança.                                                                                                                            Todos os moradores são suspeitos de ter agredido violentamente a Priscilla.

Esta é a premissa para este thriller psicológico. Passado neste cenário fechado da urbanização, vamos conhecer vários dos moradores, pois a história é narrada a várias vozes. Uma história que me prendeu logo nos primeiros capítulos e sendo os mesmos curtos, permitiu que a minha leitura fosse muito voraz e viciante.

Um thriller doméstico com um toque "dark" cheio de segredos, mentiras, reviravoltas e suspense que teve um "primeiro" final morno mas um "segundo" final com um twist que surpreendeu e que me deixou com muita vontade de ler uma continuação (espero que haja!).

Dorothy Koomson não desilude!


Classificação: 4/5


Agradeço à editora o envio de um exemplar.

SINOPSE

E se os segredos dos seus vizinhos lhe caíssem nas mãos, na forma de um diário?
E se a mulher que o deixou fosse assassinada por uma das pessoas de que fala esse diário?
E se a polícia lhe perguntasse se sabia alguma coisa?
Entregaria o diário?
Ou tentaria descobrir os segredos de cada um?
Eu sei o que fizeram é o thriller viciante da Rainha das Revelações.

CRÍTICAS

"Mistério quanto baste e revelações surpreendentes o suficiente para ficarmos a pensar na forma como foi o desfecho, durante algumas horas ainda depois de terminar a leitura. Este livro tem tudo para ser um dos mais lidos este ano. E vou continuar a seguir Dorothy Koomson com toda a minha atenção!"

Sara Neves, Sinfonia dos Livros

terça-feira, 8 de março de 2022

Opinião - As Costureiras de Auschwitz de Lucy Adlington

 






Um livro que resulta de uma investigação profunda e minuciosa da vida de várias costureiras que sobreviveram a Auschwitz por saberem costurar. Umas já sabiam, outras foi neste campo de concentração que aprenderam. Este livro foi também o resultado das conversas da autora com a última costureira sobrevivente, Bracha Kohút.
Estas mulheres, muitas apenas raparigas, que vamos conhecer são oriundas de vários países, em comum têm o facto de serem judias. E por isso foram deportadas para Auschwitz.

Com a subida ao poder do partido Nazi, cedo apareceram várias leis contra os judeus, desde a proibição de frequentarem espaços como escolas, lojas e até serem atendidos nos hospitais, até à proibição de trabalharem.
"A Noite de Cristal", ocorrida a 9 de novembro de 1938, na Alemanha, foi o culminar de um longo processo de perseguição aos judeus. Foi um assalto às lojas e às casas de judeus que ocorreu na Alemanha e também na Áustria planeado pelo partido nazi.
O resultado desta noite foi devastador: calcula-se que duas centenas de sinagogas tenham sido destruídas nessa noite e cerca de 7 mil lojas judaicas tenha sido destruídas, queimadas ou danificadas. A maioria das lojas que vendiam roupas e têxteis eram propriedade de judeus, pelo que, posteriormente a este acontecimento começou a haver escassez destes produtos porque mais os alemãs que não eram judeus, não sabiam da arte.
Seguiu-se uma feroz perseguição com prisão e deportação de milhares de judeus para os vários campos de concentração.


"Os judeus na Polónia sofreram níveis extraordinários de perseguição, por vezes de antissemitas da população local (...)"

"Quando os guetos foram criados, alguns polacos lamentaram o sofrimentos dos seus vizinhos judeus, enquanto outros depressa tomaram conta dos respetivos negócios."


Algumas destas costureiras já se conheciam antes de chegarem a Auschwitz mas a maioria criou fortes laços de amizade em Auschwitz. O atelier de costura criado pela mulher do comandante do campo, Hedwig Hoss, começou apenas com uma pessoa, chegando a albergar mais de 25 mulheres, que assim tinham a benesse de trabalhar longe do frio e do calor da rua, em segurança e com direito a uma alimentação reforçada. Um passaporte para a sua sobrevivência.

Tinham a hercúlea tarefa de, a partir de restos de uniformes dos prisioneiros, muitos ainda com sangue e buracos de balas, transformar em novas peças de roupa. Existia em Auschwitz um armazém chamado de "Kanada", onde eram guardados os bens que os prisioneiros traziam ingenuamente para o campo de concentração. Estas costureiras tinha acesso ao armazém para irem buscar roupa e tecidos para criarem as peças que lhes eram pedidas. O Kanada também guardava roupa e tecidos que tinham sido roubados das lojas que tinham sido propriedade dos judeus.
No atelier faziam-se roupas e uniformes para os agentes das SS do campo, as mais variadas peças para as suas mulheres e até roupa para as mulheres da elite nazi alemã.

É impossível ficar indiferente a estes relatos de horror ocorridos neste período negro da história europeia. Nunca é fácil ler e conhecer os pormenores da constante e agoniante tortura de tantas e tantas pessoas. Apesar de ser sempre uma leitura dura considero que é uma leitura necessária para aprender e ter contacto com a realidade. Lembrar para nunca esquecer é cada vez mais importante nos dias que correm.
Confesso que o timming desta leitura não foi o melhor porque coincidiu com o início do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, pelo que a vontade e concentração para ler sobre este tema não foi a desejada. Mas, tendo sido uma leitura conjunta organizada pela Sandra do blog Leituras Descomplicadas, ajudou neste aspeto pelo facto de podemos indo conversando e discutindo sobre o livro. A leitura acompanhada e partilhada é sempre mais rica!

Um livro a não perder para quem gosta de ler sobre esta parte da nossa história.

"Hunya foi salva pela amizade e pela lealdade - algo que os nazis nunca conseguiram erradicar, apesar de todos os abusos que praticavam."

Classificação: 4/5

Agradeço à editora o envio de um exemplar.




SINOPSE

A poderosa história das mulheres que usaram as suas técnicas de costura para sobreviver ao Holocausto, costurando roupas para a elite nazi, no salão de moda do campo de concentração de Auschwitz.
No auge do Holocausto, 25 jovens prisioneiras do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau desenharam, cortaram e coseram elegantes peças de vestuário para as mulheres da alta sociedade nazi. Um trabalho que, esperavam, as salvaria das câmaras de gás.

Este salão de moda, denominado Ateliê de Alta-Costura de Auschwitz, foi criado por Hedwig Höss, a mulher do comandante do campo e funcionava a poucos metros de distância do bloco de interrogatórios onde se torturavam prisioneiros. Das mãos destas 25 jovens saíram maravilhosas peças de roupa que fizeram brilhar as senhoras da elite nazi em Berlim.

Quando a historiadora Lucy Adlington se encontrou pela primeira vez com Bracha Kohút, a última costureira sobrevivente, sentiu a história ganhar vida e expõe a ganância, crueldade e hipocrisia.